Por: Honey Godoy
Este diálogo é representado pela presença de outro visitante que deseja conhecer o Espiritismo, mas ainda não possui uma opinião formada à respeito, mas procura Allan Kardec para tirar dúvidas sobre a nova doutrina. Pelo fato do visitante estar no mesmo núcleo social de pessoas que fazem comentários de diversos tipos sobre o Espiritismo, embora muitos deles contraditórios, ele comenta com Kardec que sua opinião não é nem pró nem contra a doutrina, mas que acabou ficando curioso em conhecê-la, devido a tantas divulgações que surgiam na época.
Kardec não se recusou em responder algumas perguntas básicas do visitante, principalmente porque este se mostrou bastante cortês e propício a aprender, diferentemente do visitante do primeiro diálogo (O Crítico), que não demonstrava nenhum interesse em aprender a doutrina, mas confrontá-la, além de ter um aspecto de simples curiosidade. Mas apesar da postura de nosso novo visitante, Kardec é extremamente enfático quando explica que primeiro deve-se se instruir nas bases do Espiritismo para que depois possa tirar possíveis dúvidas com um teor bem mais profundo, como podemos observar num pequeno trecho tirado do livro:
“ A.K – Ser-me-á um prazer, senhor, responder às questões que se queira me endereçar, quando elas são feitas com sinceridade e sem prevenção, sem me iludir, entretanto, de poder resolvê-las todas. O Espiritismo é uma ciência que acaba de nascer e na qual há, ainda, muito a aprender. Seria, pois, muito presunçoso pretendendo tirar todas as dificuldades: eu não posso dizer senão daquilo que sei.
O Espiritismo toca em todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral. É um campo imenso que não se pode percorrer em algumas horas. Ora, compreendeis, senhor, que me seria materialmente impossível repetir de viva voz, e a cada um em particular, tudo o que escrevi sobre esse assunto para uso geral. Em uma séria leitura prévia, encontrar-se-á, aliás, a resposta à maioria das perguntas que vêm, naturalmente, ao pensamento.(...)”
Espiritismo e Espiritualismo
A principal dúvida do visitante era justamente acerca das definições Espiritismo e espírita, argumentando à Kardec porque este criou essas novas palavras se já existiam as palavras Espiritualismo e espiritualista que eram muito usadas e difundidas aos adeptos da escola dita americana, e que essas novas palavras eram consideradas como barbarismos.
Kardec explica que criou essas novas palavras, porque ESPIRITUALISTA é aquele ou aquela cuja doutrina é oposta ao materialismo, portanto, todas as religiões são baseadas no Espiritualismo, o que não implica na crença dos Espíritos e nas suas manifestações. Então para se fazer essa distinção entre os que crêem e os que não crêem, surgiram as palavras Espiritismo e espíritas, para que possam exprimir sem equívocos, as idéias relativas aos Espíritos.
Vamos ler um trecho do parágrafo do livro de Kardec sobre o assunto:
“ (...) Todo espírita é, necessariamente, espiritualista, sem que todos os espiritualistas sejam espíritas. Fossem os Espíritos uma quimera e seria ainda útil existirem termos especiais para aquilo que lhe concerne, porque são necessárias palavras para as idéias falsas como para as idéias verdadeiras.”
Mesmo sendo consideradas palavras bárbaras por alguns críticos da época, Espiritismo e espírita, passaram a linguagem popular e a serem difundidas na Europa e posteriormente para as outras partes do mundo.
O QUE É ESPIRITISMO.
AUTOR: ALLAN KARDEC
EDITORA: IDE. 74ª EDIÇÃO-ABRIL/2009. PÁGINAS: 24-25.
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